sábado, 20 de outubro de 2012

Danilo Forte considera que eleições 2012 serviram para marcar, positivamente, como a eleição do ficha limpa

Danilo Forte, do Ceará, analisou ainda o resultado nacional obtido pelo PMDB, o crescimento do PSB, além de destacar a importância para o Legislativo retomar o debate e as votações da Reforma Política
(Brasília-DF, 19/10/2012) O deputado Danilo Forte (PMDB-CE), em entrevista exclusiva para a Agência Política Real, considerou que as eleições de 2012 serviram para marcar positivamente como o pleito do “ficha-limpa”.
 De acordo com ele, o grande saldo das eleições 2012 “foi do ponto de vista gerencial”.
“Eu acho que a luta com relação a questão do ficha-limpa, a preocupação da Justiça Eleitoral com relação a incriminação dos fichas-sujas, a preocupação com uma gestão transparente, a preocupação com uma gestão preocupada com os avanços e os compromissos sociais foram uma grande novidade que fez com que houvesse a renovação dos quadros políticos nacionais”, iniciou.
E, segundo ele, devido a essas preocupações abordadas durante o processo eleitoral o Congresso Nacional terá que retomar o debate e as votações da Reforma Política. O que para o congressista cearense é fundamental.
“Por isso (estamos) aqui na Casa aclamando pela celeridade da Reforma Política. Porque a sociedade de hoje não pode estar num patamar de exigências e de compromissos da classe política, ao mesmo tempo, que a normatização, a legislação política das eleições ainda ocorrem de uma forma ultrapassada sem dar a transparência necessária ao momento que a sociedade vive hoje”, destacou.
E falou mais.
“Nós temos que avançar no que diz respeito ao financiamento público de campanha. Nós temos que avançar no que diz respeito a coincidência dos mandatos. Nós temos que avançar no que diz respeito a repactuação e o reequilíbrio das forças políticas nacionais. Acho que todos nós apreendemos muito com o recado que as urnas nos mandou, agora, na eleição de 2012 e acho que tem de se aprofundar para 2014, indiferente do crescimento partidário”, complementou.
ATUAL PROCESSO ELEITORAL – O deputado Danilo Forte frisou que no Brasil os partidos não são importantes e, sim, são apenas “meras bandeiras eleitorais”.
Segundo Forte, as legendas não são angariadas com base no fundamento ideológico e muito menos orientados com programas econômicos voltados para o desenvolvimento do País.
“Tanto é que hoje no Brasil não tem mais partido de esquerda, nem de direita. Todos os partidos estão irmanados, mais ou menos, dentro de um mesmo preenchimento de requisito visando unicamente os embates eleitorais”, disparou.
Para o peemedebista cearense, “essa nova formatação” necessária para a política brasileira virá somente dentro de uma Reforma Política.
“A reformulação das leis partidárias, a valorização dos partidos, o crescimento dos partidos, dentro de pontos de vistas programáticos que aí, sim, poderão ensejar numa maior fidelidade partidária, num maior compromisso com os seus discursos, só se darão quando nós tivermos realmente partidos calcados dentro de ideologias, dentro de programas econômicos, dentro de coincidências de interesses voltados para essas agremiações”, defendeu.
E explicou.
“Porque muitas vezes o parlamentar ou o Executivo, o prefeito ou o governador, se elege com um discurso e a primeira coisa que faz ao tomar posse é negar àquele discurso em função da nova atividade que está exercendo”, comentou.
CRESCIMENTO DO PSB – Para tentar evidenciar o seu ponto de vista face ao ocorrido no primeiro turno das eleições municipais, o deputado cearense analisou como se deu o crescimento dos socialistas nestas eleições.
“Por outro lado, é importante ressaltar que, de fato, os partidos novos, principalmente os partidos que estão abrigados dentro dos governos estaduais pelas particularidades que são as eleições municipais tem um abrigo maior dentro da perspectiva eleitoral em cada região, principalmente nos Estados mais pobres da federação”, apontou.
E disse mais.
“Nas regiões Norte e Nordeste, que são as regiões menos desfavorecidas do ponto de vista do poder econômico, é mais fácil que os governos com os seus partidos satélites, digamos assim, partidos apoiados pelos governos estaduais, já que nós não temos o instituto da sub legenda como tinha na época da ditadura, da Arena 01, 02 e 03, esses partidos que se sentem fortalecidos pelos governos estaduais lançam candidaturas que conseguem abrigar grande volumes de prefeitos e vereadores nos diversos municípios brasileiros”.
E acrescentou.
“E é exatamente aí que o PMDB perdeu substância e onde aflorou esses novos partidos. Nós, também, não podemos deixar de destacar o grande crescimento do PSB, principalmente liderado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que buscou ter uma diferenciação com os demais partidos brasileiros, com os demais partidos tradicionais como o PSDB, o partido mais votado no Sudeste brasileiro, o PMDB que é um partido nacionalizado, o PT que é o partido que tem a responsabilidade de tocar o governo federal”.
E continuou.
“Assim o PSB soube se diferenciar com relação a esses grandes partidos e também teve o maior crescimento em todos os partidos em nível nacional. Isso remete a uma reflexão e acho que agora no retorno do 2º turno, todas as agremiações vão fazer um debate interno para fazer uma reavaliação deste quadro, inclusive, do ponto de vista programático e ideológico e todas elas vão perceber a necessidade e urgência de se retomar o debate e a votação da reforma política”, falou.
E justificou.
“Porque o País não comporta mais um modelo eleitoral ultrapassado que não condiz, que não se atualizou com os avanços que a sociedade brasileira teve no que diz respeito a sua pluralidade, a sua diversidade, a sua exigência de transparência, de renovação, inclusive, do ponto de vista da economia brasileira no momento atual”.
E finalizou.
“Então eu acho que essa lição é uma lição que fica, num aprendizado que foi colocado nas urnas e que nós como agentes políticos, devemos ter a capacidade de compreender este novo momento do País e avançar no que diz respeito a reforma política para dar uma nova normatização para as eleições equivalente ao momento social que o País vive hoje”.
(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)

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